outubro 2008


Coisificar é reduzir uma pessoa, com todo o seu universo, a uma única coisa. É dar a ela um rótulo e tratá-la conforme esse rótulo, como se não houvesse mais nada além dele. É julgá-la por uma situação, esquecendo que ninguém permanece igual por toda a vida. É usar adjetivos para qualificar a pessoa com um todo por uma única característica dela, uma determinada atitude ou palavra. É quantificar a subjetividade em números frios.

 

Além da conhecida mulher-objeto, essa visão limitada reduz: o cliente a uma carteira que alimenta a minha, o empregado a um robô que me serve, o professor a uma enciclopédia ambulante que me informa, o devedor a uma planilha de dívidas, o fazendeiro a sua fazenda. Isso é apenas uma parte da vida delas, que é muito mais rica e complexa. Antes de receber os títulos, muitas vezes temporários, de chefe, empregado, cliente, fornecedor, usuário, autor, essas pessoas já tinham nome e sentimentos. Quem é professor de dia pode assumir, algumas horas depois, o papel de aluno. Isso inclusive o levará a questionar sua própria didática… Posso afirmar que eu pelo menos, quando coisifico alguém, não estou bem, certamente não estou tranqüila, nem pensando com clareza.

 

Conscientemente sou tolerante e contra preconceitos, mas na prática, vou confessar alguns que já tive ou ainda me influenciam. Sim, eu considero o preconceito um reducionismo também, generalizando ao deduzir que todos são como a maioria é.  Mas vamos à uma parte da minha listinha, será que você se identifica com alguma destas idéias pré-concebidas?

* homens são fechados,

* mulheres demoram no caixa para pagar,

* árabes sabem vender qualquer coisa,

* judeus são poupadores natos,

* japoneses entendem tudo de matemática,

* quem não trabalha enlouquece,

* longe da informática fica alienado,

* se não tem poupança tem dívidas,

* cerca-se de grifes por não ter conteúdo.

 

Claro que é interessante conhecer tudo o que é estatisticamente mais provável, especialmente nas situações em que não há como saber a “verdade” e a dedução é a única opção. Mas deduzir errado e descobrir que tiramos conclusões precipitadas dá uma péssima impressão. Mesmo quando acertamos no “julgamento” o que realmente ganhamos com isso nem sempre vale à pena. Todo ser humano merece ser tratado como gente e nada menos do que isto.

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VENDE-SE TUDO

No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos. O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou:
_ Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
_ Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.

 

Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa. Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante. Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas. Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu, mais sem alma.

 

No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros.

 

Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo. Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar.

 

Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que torna-se cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida.

 

Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile .

 

Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio. Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.

 

Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde. Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza.

 

Para complementar:

“SE TEMOS AS PESSOAS PARA AMARMOS E AS COISAS PARA USARMOS, PORQUE AMAMOS AS COISAS E USAMOS AS PESSOAS?”  (Bob Marley)

Brasileiros estão mais endividados do que nunca

vídeos (e texto) mostrando casos de financiamentos, empréstimos, etc e dando dicas

Vejam que site interessante, você pode fazer várias simulações gratuitamente:
http://www.calculoexato.com.br/adel/default.asp

“Aviso importante: O site CÁLCULO EXATO é um serviço gratuito que se propõe a auxiliar o usuário como simples referência e verificação de cálculos diversos. Este serviço não deve ser utilizado em substituição a um profissional habilitado. O usuário que utiliza os nossos serviços o faz por sua conta e risco, e aceita que não temos qualquer responsabilidade por danos de qualquer natureza resultantes desta utilização.”

resuminho de alguns possíveis efeitos diretos da crise em nossos bolsos:

Pro Teste: consumidor deve preparar o bolso para os efeitos da crise

 um milhão de dólares por metro quadrado???

Você vale o chão que pisa?  Diamantes, madrepérola e ónix: designer italiana cria o piso mais caro do mundo por metro quadrado.

http://msn.onne.com.br/conteudo/6085/voc-vale-o-ch-o-que-pisa

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