Tudo bem que as moedas e principalmente as cédulas de diheiro sejam sujas, literalmente falando, mas percebo que a sujeira do dinheiro recebe uma atenção exagerada em relação a outras coisas igualmente ou mais contaminadas. Tudo em que pegamos, especialmente na rua, vai juntando sujeira e tem que receber uma limpezinha de vez em quando… Cansei de ver pesquisas alertando para os campeões da sujeira: corrimão, maçaneta, teclado e mouse, celular, volante e câmbio de carro, carrinho de supermercado, entre outros. Raramente vejo alguém limpando estes objetos ou dizendo por ex: eca, fechou a porta e agora está comendo com esta mão suja! E é muito comum ver alguém comendo no carro, ônibus, metrô, ou deixando o celular em cima da mesa do restaurante, pertinho do prato!

Esta noção de que dinheiro é fisicamente sujo não contribui em nada para nossa inteligência financeira, ela pode transcender a parte biológica e se impregnar como uma má impressão. Claro que não é saudável beijar dinheiro, dormir ou tomar banho com ele, guardar na lingerie, como já vi em algumas cenas de filmes…  Só quero lembrar que dinheiro é importante, deve ser respeitado, valorizado, bem gasto, bem investido. Ele pode conter germes, mas também pode conter uma possibilidade de realizar algum sonho. Ele pode estar meio rasgado e ainda assim servir para comprar coisas de que necessitamos. Ele pode passar de mão em mão, mas ele foi feito para circular e ser movimentado. A história de cada cédula ou moeda poderia dar um interessante filme, com muitas vidas envolvidas. Ele pode ter chegado às mãos de um bandido como fruto de caminhos desonestos, mas o mesmo dinheiro pode ser usado em seguida para pagar uma conta comum de um serviço “limpo”. Em termos de ética, mesmo o chamado “dinheiro sujo” não é realmente ele que é sujo, e sim a atitude de quem praticou a corrupção,  contravenção.

Lavar as mãos, limpar seus objetos onde elas tocam diariamente não é suficiente? Por que ter mais nojo da sujeira do dinheiro do que das outras coisas?

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